Entrechos.


Entre o sono e o sonho,

on 1 de agosto de 2017 in Entrechos. No Comments »

Entre o sono e o sonho,

Entre mim e o que em mim

É o quem eu me suponho,

Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,

Diversas mais além,

Naquelas várias viagens

Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito

A casa que hoje sou.

Passa, se eu me medito;

Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre

No que me liga a mim

Dorme onde o rio corre —

Esse rio sem fim.

11-9-1933

Poesias. Fernando Pessoa

Mestre Drummond

on 28 de julho de 2017 in Entrechos. No Comments »

https://www.youtube.com/watch?v=JzIGlS51A-M

“Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca; às vezes sara amanhã.”

Como não amar esse vídeo, gente? 

 

Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlito.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…

 

 

on 31 de março de 2017 in Entrechos. No Comments »

É preciso chuva para florir…é preciso ter o caos dentro de si, para a dar à luz a uma estrela brilhante!

 

e preciso chuva para florir

on 23 de março de 2017 in Entrechos. No Comments »

Mas talvez você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar

Até o mundo acabar…

girl

Amor maior.

on 17 de fevereiro de 2017 in Entrechos. No Comments »

Eu quero ficar só
Mas comigo só eu não consigo…
Eu quero ficar junto
Mas sozinho só não é possível

É preciso amar direito
Um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora
Ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora
Amor que eu desconheço

Quero um amor maior
Um amor maior que eu…

Então seguirei meu coração até o fim
Pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim
Mesmo sem querer
Pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz
Mesmo morrendo de dor,
Pra saber se é amor
Se é amor

Quero um amor maior,
Um amor maior que eu…

on 18 de janeiro de 2017 in Entrechos. No Comments »

rubm alves

on 20 de dezembro de 2016 in Entrechos. No Comments »

Quando chorar

Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como o de uma criança com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se de forte, e enfrentar. É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.
Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.
Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.

— Clarice Lispector, no livro “A descoberta do mundo”. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

on 17 de dezembro de 2016 in Entrechos. No Comments »

Acordei hoje com um sentimento revelador. Abri os olhos, e o pensamento veio perfeito, perplexo, exato: “Sinto saudades de mim”.

Quando me olho no espelho,  não são as rugas ou cabelo branco que vejo. Mas o que tem dentro… o que transborda no espelho é a aparência do que se manifesta dentro de mim.

 


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Morre Ferreira Gular – RIP 04.12.2016

on 4 de dezembro de 2016 in Entrechos. No Comments »

‘corpo que se pára de funcionar provoca

um grave acontecimento na família:

sem ele não há José Ribamar Ferreira

não há Ferreira Gullar

e muitas pequenas coisas acontecidas no planeta

estarão esquecidas para sempre’

– Ferreira Gullar
Trecho do ‘Poema sujo’

on 30 de novembro de 2016 in Entrechos. No Comments »

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