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Eternal Sunshine of the spotless mind – Resenha

on 5 de maio de 2013 in Sétima Arte No Comments »

 

Resenha do filme : Brilho Eterno de uma mente sem lembranças. The Eternal Sunshine of the spotless mind

Abençoados são os sem-lembrança

porque para eles será mais fácil viver com os erros cometidos.1

(Friedrich Nietzsche)

 

Pode o amor resistir por mais que tentem matá-lo? E tentam!

No filme “Brilho Eterno de uma mente sem lembranças”, roteiro de Charles Kaufman, o mesmo de “Quero ser John Malkovich”, nos deparamos com a incrível possibilidade de poder deletar literalmente de nossas mentes todo tipo de lembrança indesejável que possa ter-nos causado dor ou desilusão, seja no campo amoroso ou não.

Uma produção simples, mas cheia de sensibilidade, envolvente do início ao fim. Nada de efeitos mirabolantemente especiais, apenas uma atuação fantástica, a melhor de Jim Carey, na minha opinião. Kate Winslet abandonou a doce Rose de Titanic para personificar uma garota moderna e inquietante. Outro ponto forte desse filme, que não posso deixar de mencionar, é a trilha sonora, simplesmente encantadora!

No filme um médico inventa uma técnica capaz de apagar de nossa mente qualquer tipo de lembrança que desejarmos esquecer. Joey, interpretado por Jim Carey – não se engane, ele não faz caretas neste filme! –  após saber que sua esposa Clementine, interpretada por Kate Winslet, o havia deletado de sua mente, prematuramente, tomado pela dor, resolve deletá-la também.

Porém durante a sessão para apagar Clementine, Joey se arrepende e tenta de todas as formas impedir que seu grande amor seja apagado para sempre de sua memória, arrastando-a para suas lembranças mais profundas e remotas, aonde ela nunca pudera estar antes. Ele tenta manter Clementine viva em sua mente.

A maioria das pessoas tende a se lembrar mais das coisas ruins do que das boas quando uma relação acaba, colocamos todas essas lembranças no mesmo pacote e amaldiçoamos aquela época de nossas vidas. Quando Joey estava tendo suas lembranças com Clementine apagadas de sua mente, percebeu que tinham passado por muitos momentos felizes e que os ruins eram tão poucos e pequenos perto dos bons, que não queria esquecê-los, mas que inevitavelmente seriam deletados juntos.

Eu diria que é impossível assistir a esse filme e não ser arrebatado pela triste feliz história de amor entre Joey e Clementine.

“Brilho eterno” é um filme que nos leva a pensar os relacionamentos com outros olhos, olhos otimistas. Apesar de muitas vezes passarmos por experiências ruins. será que  seria bom apagá-las de nossa vida?

Você aceitaria apagar algumas lembranças da sua memória? Antes, lembre-se, somos feitos de lembranças que carregamos durante toda a vida. As que julgamos ruins, na verdade, servem de aprendizado, já as boas são para que não nos esqueçamos de que um dia fomos felizes.

Encerro com o trecho final do poema:

“As sem-razões do amor” de Drummond.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

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1. Blessed are the forgetful/for they get the better even of their blunders.

(Friedrich Nietzsche)