Let it be.

por , 17 de maio de 2013 em Achados e Garimpos!, Meu cotidiano.

sonho de trabalho

E num belo dia um sopro e puff, a luz se apaga!

Gosto de pensar que ainda tenho muito tempo. Tempo suficiente para fazer tudo que eu quiser. Tempo para viajar e conhecer todos os lugares que sonho conhecer, tempo para mudar de profissão, começar tudo de novo, do zero.

Sonho que ainda tenho tempo para ser o que eu quiser ser. Tempo para desperdiçar com o que eu bem entender. Penso que ainda vou ter tempo para ganhar dinheiro e gastar tudo, e ganhar de novo.

Gosto de pensar que ainda sou tão jovem, que tenho muito, muito tempo para viver tudo que eu imaginar. Mas aí, vem um anjo ruim e senta perto de mim….E fico por um instante eternamente assombrada pela passagem das horas, palavras-chave da minha vida: angústia do tempo, inexorável tempo. Então, quando olho pro céu, e vejo uma nuvem se movendo bem lentamente, sinto-me tão insignificante, tão pequena, um grão de areia, um sopro, uma flor que hoje é, mas que amanhã poderá ser colhida prematuramente.  E aí me pergunto: Para onde vão todos os sonhos quando a flor é colhida inesperadamente?

Lendo Caio Fernando de Abreu, ontem, fiquei atordoada, sem palavras, ele dizia assim: “Uma farsa, essa sua vida — uma farsa. E o pior é que você já não consegue nem fingir que acredita nela.”, fiquei sem chão. Justo na minha vez?  Primeira vez que visito o Blog do cara e já dou de frente com essa. Justo eu que tento mudar minuto a minuto a minha vida para evitar o tédio. Eu que me canso da mesmice de cada dia, canso até do texto antes mesmo de acabar de escreve-lo. E tudo num piscar de olhos. Me senti desarmada e desalmada, sem forças para continuar minha farsa.

Lembrei-me de um de meus poetas favorito, Mario de Sá Carneiro em Dispersão: Perdi-me dentro de mim, porque era labirinto e hoje quando me sinto e com saudades de mim. Pois é!

Não quero viver uma farsa de vida, e apenas no final e apenas no instante do último suspiro, pensar que deveria ter feito diferente. Bom mesmo é arriscar, chutar o balde, ver o leite derramar, já percebeu que aroma maravilhoso tem o leite derramado? bom é sair na chuva e deixar-se molhar, roubar beijo, fechar os olhos e deixar o corpo ir. Isso é ser livre.

Como dizia meu querido Cazuza: “Viver é bom, partida e chegada, solidão que nada”. Será que a vida só acontece mesmo nos livros? Ah que ironia seria…

Me encaro no espelho, olhos nos olhos, penso: estarei engessada?

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